domingo, 9 de setembro de 2012

Pressupostos, Subentendidos e Semântica argumentativa



Linguística II
Pressupostos, Subentendidos e Semântica argumentativa.
Conceituando a pressuposição:
Pressupostos são idéias não expressas de maneira explícita, que decorrem logicamente do sentido de certas palavras ou expressões contidas na frase.
Relação de sentido entre duas proposições em que se P é verdadeira, Q também é verdadeira, mas se P for falsa, mantém-se verdadeira. A sua propriedade permanece mesmo quando se faz a negação da proposição
MARCADORES QUE SERVEM DE PRESSUPOSTOS?
1)Adjetivos(ou palavras similares)
 Julinha foi minha primeira filha.
2)Verbos que indicam mudança ou permanência de estado(por exemplo,permanecer,continuar,tornar-se,vir a ser,ficar passar[a], deixar[de], começar[a], converte-se, transformar-se, ganhar,perder):
Renato continua doente.
3)Verbos que indicam um ponto de vista sobre o fato expresso pelo seu complemento(por exemplo, pretender, supor, alegar, presumir, imaginar):
 
Hussein pretende que o Kwait faça parte do território iraquiano.
4)Certos advérbios:
 
A produção agropecuária brasileira está totalmente nas mãos dos brasileiros
5) Certas conjunções:
Frequentei a Universidade,mas aprendi bastante.
As descrições definidas
As descrições definidas geram as chamadas pressuposições de existência; dado tal descrição, toma-se como pressuposição a existência da expressão definida:
a. O homem aranha salvou toda a cidade
a’. O homem aranha não salvou toda a cidade.
a’’. O homem aranha salvou toda a cidade?
a’’’. Se o homem aranha salvou toda a cidade, ....
b. Existe um homem aranha  e existe uma cidade.
Pressuposições com verbos factivos
Outros tipos de desencadeadores são os lexicais. Por exemplo, os verbos
chamados factivos (saber, lamentar, adivinhar, perceber, estar triste com, estar contente com, etc.) são desencadeadores, porque eles pressupõem a verdade do seu complemento sentencial:
Contrariamente, os verbos não-factivos (imaginar, pensar, achar, etc.) não pressupõem a verdade de seus complementos
Pressuposições com verbos implicativos
Verbos implicativos são do tipo: conseguir, esquecer, evitar que...
Pressuposições com orações subordinadas
Existem, também, alguns tipos de orações subordinadas, como as temporais e as comparativas, que desencadeiam a pressuposição em (b):
Na leitura,é muito importante detectar os pressupostos,pois eles são um recurso argumentativo que visa a levar o leitor ou ouvinte a aceitar certas ideias.Como assim?Ao introduzir um conteúdo sob a forma de pressuposto, o falante transforma o ouvinte em cúmplice, pois a ideia implícita não é posta em discussão,a apresentada como se fosse aceita por todos, e os argumentos explícitos só contribuem para confirmá-la.O pressuposto aprisiona o ouvinte ao sistema de pensamento montado pelo falante
SUBENTENDIDOS
São insinuações, não marcadas linguisticamente, contidas numa frase ou em um conjunto de frases, estão presentes até mesmo nas falas.
Exemplo: Que frio terrível!
Poderia estar insinuando.... ????
A leitura reflexiva é considerada um ato cognitivo que envolve processos múltiplos, como percepção  e reflexão sobre um conjunto complexo de componentes de que se constitui a estrutura de um texto.
Diferença entre Subentendido e Pressuposto
O PRESSUPOSTO é uma informação estabelecida como indiscutível, tanto para o falante como para o ouvinte, pois este decorre explicitamente de um elemento linguístico colocado na frase.
É direto, expressa o sentido literal das falas ou frases.
Já o SUBENTENDIDO é de responsabilidade do ouvinte. O falante pode esconder-se atrás do sentido literal das palavras e negar que tenha dito o que o ouvinte depreendeu de suas palavras.
Assim o SUBENTENDIDO, diz sem dizer, sugere, mas não o diz!
O SUBENTENDIDO é de responsabilidade do leitor ou ouvinte, pois depende diretamente do que este irá depreender do enunciado.
O SUBENTENDIDO serve muitas vezes para proteger o falante. Com ele é possível transmitir uma informação sem se comprometer, visto que ele depende das inferências feitas pelo receptor da mensagem.
Depende de ativação de conhecimento prévio, da estrutura textual e do conhecimento de mundo. Tudo isso para a formação da criação de sentido. Alia-se a isso o contexto social, político e histórico, como forma de tornar clarividente a formulação discursiva.
Destinador e destinatário!
Encontrando os Subentendidos 
Para observar os Subentendidos, deve-se investigar não apenas a estrutura do texto, mas também avaliar todo seu envolto social, o que lhe é externo e o que contribui para a produção efetiva dos sentidos ali implícitos.
Na Produção, um texto, seja ele um enunciado oral ou escrito, é um processo de escolhas, uma produção com objetivos e funções previamente definidas.
A SEMANTICA ARGUMENTATIVA
A semântica argumentativa ou semântica da enunciação ou macrossintaxe do discurso, segundo Koch(2002) tem por função identificar enunciados cujo traço constituído é o “de serem empregados com a pretensão de orientar o interlocutor para certas tipos de conclusão, com exclusão de outros”.
A semântica argumentativa foi desenvolvida a partir das propostas de Austin(1962) e Benveniste(1966).
Ducrot (1981) salienta que essas marcas pertencem a própria organização da língua: há estratégias que manipulam,argumentativamente,a significação de um enunciado.
Segundo Aquino(1997), as estrategias auxiliam na orientaçao argumentativa que se quer dar ao enunciado, já que a seleção de determinada estratégia.
 
 
É importante salientar que existe na gramática de cada língua uma serie de morfemas responsáveis por esse tipo de relação, que funcionam como operadores argumentativos. Operadores  argumentativos são os quais dão ao texto a orientação argumentativa,isto é,  orientam seu sentido em uma certa direção e por isso constituem-se em importantes marcas da enunciação. Koch(1996).
 
Bibliografia:
    CHARAUDEAU, Patrick. Linguagem e discurso: modos de organização. São Paulo: Contexto, 2008
FIORIN, Luiz José. Linguagem e Ideologia. São Paulo: Ed. Ática, 2000
MARCUSCHI, Luiz Antônio. Cognição, linguagem e práticas interacionais. Rio de Janeiro, Lucerna, 2007a.
FORIN, José Luis; SAVIOLE, Francisco Platão. Lições de textos: Leitura e Redação. São Paulo: Ática, 1996. (pg. 305 a 311)
ILARI,R. e GERALDI,JW.Semântica.Série Princípios.V8.São Paulo:Ática,2002.
blog.educacional.com.br/. Acessado em 20 de agosto 2012.
—Material usado no seminário da Prof. Sônia.

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